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Uma mulher à frente do seu tempo 2017-02-10T11:00:40+00:00

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Uma mulher à frente do seu tempo

Conheça a segunda funcionária mulher da antiga Bolsa Oficial de Valores de São Paulo na década de 1940

Em abril de 1944, Cybelle Mazzilli de Vassimon tinha 24 anos e prestou um concurso para concorrer a uma vaga para começar a organizar a biblioteca da então Bolsa Oficial de Valores de São Paulo, localizada no edifício Palácio do Café, no Pátio do Colégio. Passou em primeiro lugar e quebrou um paradigma: foi a segunda funcionária mulher da Bolsa na época.

Em entrevista exclusiva para a Resenha da Bolsa, Cybelle compartilhou suas memórias mais marcantes dos tempos em que trabalhou na instituição que em 1967 se transformaria na antiga Bovespa, a Bolsa de Valores de São Paulo. “Além de bibliotecária, eu exercia a função de secretária da presidência”, relembra, acrescentando que trabalhou com Ernesto Barbosa Tomanik, presidente da Bolsa de 1947 a 1955 e de 1964 a 1965.

  • Cybelle Mazzilli de Vassimon

Uma carreira de sucesso

À frente de seu tempo, Cybelle teve uma trajetória profissional fora da curva. Trabalhou diretamente com o Departamento Jurídico, fazendo as pesquisas que embasavam os pareceres do advogado Mozart Emidio Pereira.

“Fui convidada por ele para participar do 1º Congresso das Bolsas de Valores de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Como a maioria dos participantes eram homens, ele convidou também sua esposa para me fazer companhia”, conta. Além disso, foi enviada pela Bolsa para estudar inglês na Universidade de Miami em 1953. “Sempre me interessei em conviver com culturas diferentes”, afirma.

Boas memórias

Hoje, aos 96 anos, Cybelle se lembra com muito orgulho e saudade da época em que trabalhava na Bolsa. Tanto que, no início do ano, pediu que seu filho (Eduardo Mazzilli de Vassimon, membro do Conselho de Administração da BM&FBOVESPA) a trouxesse à Bolsa para fazer uma visita. Cybelle almoçou com o diretor-presidente da BM&FBOVESPA, Edemir Pinto, e foi homenageada em um vídeo que relembra como era a biblioteca na época em trabalhava aqui.

E se engana quem acha que, com a chegada da idade, Cybelle se acomodou. Extremamente ativa, está sempre perto da família – hoje tem dois netos – e não abriu mão de seus dois principais hobbies: a leitura e a escrita. Além de escrever poesias, lê o jornal diariamente e recorta, assim como nos velhos tempos, os artigos sobre Economia e Finanças que considera mais relevantes para debater à noite ao telefone com seu filho Eduardo.

Questionada sobre a mensagem que gostaria de deixar para os leitores da Resenha, Cybelle não hesitou.

“Embora o machismo tenha diminuído, eu sei que ele ainda existe nas empresas. É um absurdo que ainda hoje uma pessoa tenha um salário diferente para fazer o mesmo tipo de trabalho. Espero que as mulheres consigam se equiparar aos homens em breve.”

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