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Notícias – Edição 1 2017-02-10T11:00:43+00:00

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Patrícia Brighenti é jornalista e tradutora juramentada.

De volta à ribalta

Os preços do petróleo bruto tipo West Texas Intermediate (WTI), que haviam perdido o posto de benchmark, começaram a retomar a antiga glória. O volume negociado com futuros de WTI já atingiu 1 milhão de contratos nos cinco primeiros meses do ano, 45% acima do registrado no mesmo período de 2014. Com isso, voltaram a ocupar a posição de mercado futuro sobre petróleo bruto mais ativo do mundo, menos de dois anos depois de terem sido destronados pelo rival Brent. O ressurgimento do WTI ocorre depois da queda de 44% verificada nos preços do petróleo no ano passado. Fortes oscilações de preço revigoraram as operações com ambos os produtos, mas o WTI acabou passando à dianteira. Isso também se deveu à conexão mais estável que este readquiriu com os preços globais da commodity, após sofrer descontos expressivos por causa das restrições de transporte no ponto de entrega do contrato localizado na cidade de Cushing, no estado de Oklahoma. Nova capacidade de gasoduto, de mais de 1 milhão de barris por dia, religou Cushing à costa dos Estados Unidos no Golfo do México, estreitando a diferença entre os dois tipos de petróleo bruto para menos de US$ 4 por barril.

E tem mais I: a Bolsa Intercontinental (ICE) e o Grupo CME negociam os dois produtos, mas a operadora de Chicago concentra 80% do volume com WTI, ao passo que a de Atlanta domina o do Brent.

E tem mais II: em breve, haverá um terceiro concorrente nesse mercado, quando a Nasdaq inaugurar a negociação de contratos futuros de energia, que incluirão Brent e WTI.

(FT.com, 15/6/2015)

Fraudes

Por duas vezes, o mesmo operador de Chicago, Igor Oystacher, foi multado por spoofing. Primeiro, no final de 2014, em US$ 150 mil, mais um mês de suspensão dos pregões, pela Bolsa Mercantil de Chicago (CME), por operações realizadas entre dezembro de 2010 e julho de 2011 e entre maio e julho de 2011 com futuros de petróleo bruto, prata, ouro e cobre; segundo, seis meses depois, em US$ 125 mil, pela Bolsa Intercontinental (ICE), por negociação imprópria ocorrida entre setembro e dezembro de 2012 com futuros do índice Russell 2000. Spoofing é um tipo de manipulação de mercado em que o operador insere grandes ofertas de compra (ou de venda) por um produto ou instrumento, cancelando-as antes que outros traders entrem com ofertas na ponta oposta. Na sequência, estes acabam emitindo ordens de compra (ou de venda), por acreditar na elevação (ou na queda) de demanda pelo produto ou instrumento, momento em que o operador original vende (ou compra) o objeto por preço mais alto (ou mais baixo). Em carta enviada à ICE no ano passado, Oystacher comenta que suas operações se baseiam em “análises, modelagem estatística e teorias de valor relativo”. Além disso, não admitiu nem negou as acusações.

(Bloomberg e Wall Street Journal, 9/6/2015)

Roubo é roubo

Foi publicado recentemente relatório conjunto do Banco da Inglaterra, do Tesouro e da Autoridade de Conduta Financeira (FCA) do Reino Unido, o qual mostra a necessidade de se fortalecerem os controles nos mercados financeiros, mediante a atualização e o aumento de sanções contra crimes, além de recomendar o lançamento de ofensiva contra traders desonestos e a criação de novo conselho de padrões de mercado. O presidente do Banco da Inglaterra afirmou que as sentenças proferidas contra banqueiros acusados de violar a lei devem ser mais rigorosas, posto que os indivíduos agem dentro de uma cultura de impunidade. Para ele, mercados responsáveis por trilhões de libras esterlinas em operações globais são manchados por conluio e abuso, com a ética ficando à deriva. Portanto, não só os períodos de prisão de violadores devem ser mais amplos, como também as normas contra práticas abusivas devem ser mais extensas, pois sem normas e controles os mercados ficam propensos a instabilidades e excessos. A conclusão do presidente do banco central do Reino Unido é a de que manipulações e fraudes financeiras devem ser tratadas como crimes comuns.

(BBC, 10/6/2015)

Pontes

A HKEx, entidade que reúne as bolsas e as atividades de clearing de Hong Kong, implantará, ainda em 2015, a interligação operacional entre as bolsas de valores de Hong Kong e Shenzhen. Vale lembrar que, no final de 2014, os mercados de ações de Hong Kong e Xangai também lançaram esquema inédito de conexão, que permite aos investidores estrangeiros acessar diretamente as ações negociadas na China continental.

Já a Bolsa de Valores de Xangai e a Bolsa Suíça (SIX) assinaram protocolo de intenções para estabelecer cooperação entre as duas instituições, de modo a desenvolver serviços em benefício dos investidores dos dois centros e gerar condições atrativas para a admissão mútua de produtos financeiros. Essa medida está subjacente ao acordo de livre comércio concluído entre China e Suíça em 2013 e o acordo cambial assinado entre o Banco da China e o Banco Nacional Suíço em 2014. Desde 2012, inclusive, a SIX oferece à negociação a moeda chinesa.

(Mondo Visione, 8/6, e Reuters, 22/6/2015)

Hora de fechar

No dia 6 de julho, o Grupo CME vai encerrar os pregões físicos dos futuros de grãos da centenária Bolsa de Comércio de Chicago (Cbot), ícones do capitalismo mundial cujos negócios passaram a representar apenas 1% do volume total da bolsa. Mas o mesmo não ocorrerá com os pregões físicos de opções sobre futuros de grãos. Mais de 40% do volume de transações com essas opções é negociado em postos de negociação – sem contar as opções de eurodólar da Bolsa Mercantil de Chicago (CME), que, em 2014, tiveram 90% de seus negócios fechados no sistema de viva voz.

E tem mais I: o Grupo CME informou em fevereiro que a economia resultante do encerramento dos pregões físicos de futuros negociados em Chicago e em Nova York seria de US$ 10 milhões anuais.

E tem mais II: o fechamento desses pregões ainda poderá ser adiado pela xerife Comissão das Operações no Mercado Futuro de Commodities (CFTC) por até 90 dias, com o intuito de analisar a medida.

(Reuters, 24/6/2015)

Aproveitando o vácuo

Até o final deste ano, a Bolsa de Ouro de Xangai lançará preço referencial para o ouro denominado em yuan. O objetivo é fazer que a China tenha maior influência sobre a precificação do metal precioso, pois seu preço em yuan serviria de complemento ao benchmark global e centenário, o fixing de Londres. Este, por sua vez, que passou a ser regulado pela Autoridade de Conduta Financeira (FCA) do Reino Unido em 1º de abril último, é determinado em novo sistema eletrônico, introduzido em março pela Bolsa Intercontinental (ICE) para substituir o processo anterior, em que apenas quatro bancos estabeleciam o preço do metal com base nas ordens recebidas de clientes. Adicionalmente, foram implantados novos procedimentos de governança, com a criação de um comitê de supervisão independente, formado por representantes de segmentos do mercado de ouro.

E tem mais I: o Banco da China e nove outros bancos foram autorizados a participar dos leilões na nova plataforma do fixing de ouro de Londres.

E tem mais II: a ICE também espera a adesão do Banco da Construção da China.

(Platts, 22/6, e Reuters, 24/6/2015)

Sem perder tempo

A Bolsa de Ouro de Xangai (SGE) estuda com o Grupo CME a possibilidade de listar os contratos que negocia na plataforma de negociação da organização norte-americana e, posteriormente, os contratos desta na entidade chinesa.

E tem mais I: o acordo deverá ser assinado em agosto, com as operações previstas para ter início no primeiro trimestre de 2016.

E tem mais II: a SGE também discute com a Bolsa de Ouro e Commodities de Dubai o lançamento de contratos de ouro denominados em yuan no emirado.

(Bloomberg, 25/6, e Reuters, 26/6/2015)

 Moedas virtuais

O estado norte-americano de Nova York foi o primeiro a emitir extensa regulamentação para as empresas que operam moedas virtuais, como bitcoin. Agora, as entidades que operarem naquele estado, detiverem recursos de clientes e trocarem moedas virtuais por dólares ou outras moedas deverão obter uma licença prévia, batizada de BitLicense. A licença estadual inclui regras de proteção ao consumidor, práticas de prevenção contra lavagem de dinheiro e segurança cibernética. Ademais, as empresas deverão atender a outras exigências, como obter aprovação prévia para mudanças materiais em seus modelos de produto ou de negócio, assim como para admitir novos investidores controladores. As regras não se aplicarão a desenvolvedores de software, usuários individuais, programas de fidelização de clientes, gift cards, currency miners ou comerciantes que aceitem bitcoin como forma de pagamento.

E tem mais: em 2014, após sofrer o ataque de um hacker, a bolsa de bitcoins Mt. Gox entrou em colapso, por alegar haver perdido cerca de US$ 500 milhões em bitcoins de clientes.

(Reuters, 3/6/2015)

Sem massa crítica

Os esforços para atrair novos bancos para o quadro de contribuidores de preços para a taxa Libor têm representado um desafio para a nova operadora do benchmark internacional, a Bolsa Intercontinental (ICE). Esta assumiu a administração da taxa em fevereiro de 2014, com a promessa de restabelecer a combalida credibilidade da Libor – utilizada para calcular a taxa de juro incidente sobre trilhões de dólares em empréstimos ao redor do mundo – pelos longos anos de manipulação dos preços usados em sua formação. Parte fundamental do novo processo é a expansão do leque de bancos que submeterão taxas. A metodologia de cálculo da Libor, que é publicada diariamente para várias taxas e moedas, não sofreu alteração desde que a ICE assumiu o posto, sendo ainda baseada nas cotações transmitidas por 20 bancos. Mas a ideia é que mais participantes tornarão o referencial mais preciso e confiável. A ICE investiu em novas tecnologias, com o propósito de checar a validade das informações, e instalou comitês de supervisão, que incluem representantes de setores da indústria, contribuidores de preços referenciais e fornecedores de infraestrutura, para ajudar a fiscalizar o processo. Só que o número de contribuidores permanece estático.

E tem mais I: as investigações envolvendo a manipulação do benchmark já resultaram na aplicação de multas aos maiores bancos mundiais, em torno de US$ 6 bilhões.

E tem mais II: o comitê de supervisão da Libor inclui o Federal Reserve Bank (Fed) dos Estados Unidos, o Banco Nacional Suíço e o Banco da Inglaterra.

E tem mais III: o primeiro operador a sentar-se no banco dos réus, como resultado da investigação conduzida em âmbito global sobre a manipulação da taxa, relatou ao júri que, na instituição em que trabalhava, circulava um manual de instruções que ensinava a fixar o preço da Libor.

(Wall Street Journal, 17/6, e Telegraph, 18/6/2015)

Touro eletrônico

O Grupo TMX, que opera as principais bolsas de valores do Canadá, anunciou que pretende participar do setor pecuário norte-americano. Para tanto, vai introduzir a primeira plataforma online para compra e venda de gado da região – a AgriClear, desenvolvida em 14 meses. Esta facilitará negócios físicos com boi, permitindo que potenciais compradores e vendedores dos Estados Unidos e do Canadá usem seus telefones celulares para visualizar os animais, entrar em negociações, fechar negócios e providenciar a entrega. Segundo o Grupo TMX, as facilidades propiciarão economia de cerca de 30% no custo de negociação. Hoje, as operações são feitas diretamente entre os interessados ou por meio de leilões. Cada transação fechada na AgriClear custará a cada uma das partes US$ 6 por cabeça de gado.

(Globe and Mail, 17/6/2015)

Sotaque germânico

Como parte dos esforços para expandir seus negócios na Ásia, a Bolsa Alemã tenciona abrir em Cingapura tanto uma bolsa de derivativos quanto uma clearing. A clearing tem permissão para funcionar desde o início do ano e, assim como a nova bolsa, deverá estar operacional em 2016. Enquanto isso, a Bolsa Alemã forneceu sua arquitetura tecnológica para colocar em operação a nova plataforma de negociação e fechamento de ordens da bolsa de derivativos de commodities de Cingapura, Cleartrade (CLTX). Outra iniciativa é a formação de joint venture com a Bolsa de Valores de Xangai e a Bolsa de Futuros Financeiros da China, visando desenvolver e comercializar ações e ETFs chineses fora da China continental.

De volta à Europa, a Bolsa Alemã assinou contrato com as Bolsas Europeias de Energia – APX, Belpex, Epex Spot, GME, Nord Pool Spot e Omie –, por meio do qual desenvolverá solução única para interligar os respectivos mercados em base intradiária, com finalização prevista para a primavera de 2016 e implantação em 2017. A medida conta com o apoio de 15 operadores do sistema de transmissão da região e representa componente fundamental para a conclusão do Mercado Interno de Energia Europeia.

(Automated Trader e Reuters, 2/6, Mondo Visione, 9/6/2015)