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Notícias – Edição 2 2017-02-10T11:00:41+00:00

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Patrícia Brighenti é jornalista e tradutora juramentada.

Oportunidades 

Os Emirados Árabes Unidos tencionam estabelecer câmara de compensação e liquidação para a moeda chinesa, yuan, ainda sem data definida. Com isso, à medida que os laços econômicos com a China florescem na região, será o segundo país do Oriente Médio a montar esse tipo de estrutura. O primeiro a fazê-lo foi o Qatar, em abril de 2015, cuja clearing engloba todos os estágios de uma operação cambial.

E tem mais: o anúncio dos Emirados Árabes Unidos, a segunda maior economia local depois de Arábia Saudita, acompanha a decisão do Fundo Monetário Internacional, em novembro de 2015, de admitir o yuan em sua cesta de Direitos Especiais de Saque, o que poderá incentivar outros países a usar a moeda chinesa em reservas, comércio e investimento.

E tem mais: outro sintoma do interesse pelo yuan na região será o lançamento, pela Bolsa de Ouro e Commodities de Dubai, de um contrato futuro sobre yuan, o qual aguarda autorização regulatória.

(Reuters, 26/12/2015)

Colarinho sujo

Segundo a Autoridade de Conduta Financeira (FCA), do Reino Unido, as condenações nos casos levados pela agência aos tribunais locais cresceram em 2015, com 14 pessoas sentenciadas à prisão, em comparação com duas em 2014. Esta elevação coincide com o novo foco do órgão em prestação de contas. Normas mais severas para indivíduos que trabalham com serviços financeiros entrarão em vigor no Reino Unido em março próximo. Apesar de o dispositivo mais controverso das novas regras – “culpado até prova em contrário” – ter sido eliminado pela Secretaria do Tesouro local no último minuto, os administradores ainda serão banidos ou multados caso a FCA prove que não tomaram todas as medidas razoáveis para evitar irregularidades em suas áreas de atuação. Essa iniciativa representa, em parte, resposta aos questionamentos do público e de políticos sobre o porquê de tão poucos executivos de bancos terem sido responsabilizados pela última crise financeira. O assunto foi destacado em relatório sobre a quebra da HBOS em 2008, envolvendo £20,5 bilhões. Apenas um ex-executivo foi investigado pela então Autoridade de Serviços Financeiros, órgão que antecedeu a FCA. Esta, porém, ainda considera a possibilidade de investigar outros ex-executivos e membros do conselho de administração da HBOS.

E tem mais I: a proporção de multas aplicadas pela FCA também cresceu. Em 2015, 21 pessoas foram multadas, atingindo o total de £6,7 milhões, diante de 13 em 2014 e penas de £2,9 milhões.

E tem mais II: a FCA prepara-se agora para o julgamento do caso tabernula. Cinco réus, entre os quais um ex-diretor do Banco Alemão, foram acusados de conduzir práticas de insider trading, pelo que podem pegar até o máximo de sete anos de prisão, se considerados culpados.

E tem mais III: ainda em resposta a escândalos, como os episódios de manipulação da Libor e do mercado de câmbio, análise independente conduzida pelo Banco da Inglaterra, pela Secretaria do Tesouro e pela própria FCA em 2015 propõe estender a pena máxima por abuso de mercado de sete para dez anos.

E tem mais IV: nos Estados Unidos, o total de sanções monetárias aplicadas pela Comissão das Operações no Mercado Futuro de Commodities (CFTC) alcançou mais de US$3,2 bilhões em 2015, montante que inclui a maior multa já aplicada na história da xerife norte-
americana, de US$800 milhões.

(Natural Gas Intelligence, 16/12, e FT.com, 27/12/20)

CasaNova

Casa nova

O novo pregão da Bolsa de Metais de Londres (LME) será aberto em 1º de fevereiro de 2016, na praça Finsbury, distrito financeiro de Londres. O endereço atual dos futuros de cobre e alumínio deixarão a sede atual, na rua Leadenhall, no dia 27 de janeiro. Nos dois dias úteis seguintes e antes da inauguração do novo espaço, as operações serão conduzidas no centro de recuperação de desastres da LME, em Chelmsford, leste de Londres. Fundada em 1877 e atual proprietária da HKEx (entidade que reúne as bolsas e as atividades de clearing de Hong Kong), as primeiras instalações que a bolsa londrina ocupou eram situadas no andar de cima de uma loja de chapéus, no pátio Lombard. O edifício da rua Leadenhall é sede da instituição desde 1994.

(Reuters, 10/12/2015)

Volta por cima

Os futuros de petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) têm sido negociados com um prêmio em relação ao Brent, fato que não era observado desde 2010. Três são os principais motivos para esse movimento: o fim da proibição de quatro décadas para as exportações de petróleo pelos Estados Unidos, bem como a redução da produção de xisto por esse país; o incremento da produção de petróleo no Mar do Norte; e a diminuição do número de posições vendedoras no WTI.

E tem mais: como o petróleo bruto não é o mesmo ao redor do mundo, há vários referenciais globais de preços para a commodity, mas os mais utilizados são o WTI (negociado na Nymex) e o Brent (negociado na ICE), sendo o primeiro tipo produzido nos EUA e o segundo, no Mar do Norte. Por isso, a precificação dos demais tipos de petróleo acaba seguindo um ou outro.

(MarketWatch, 24/12/2015)

Possibilidades

A Bolsa de Taipé (TPEX) assinou protocolo de intenções com a Bolsa de Ativos Canadense (CSE), com o intuito de desenvolver ambos os mercados, encorajar a troca de informações e buscar novas oportunidades para as bolsas e os respectivos emissores, enquanto a Bolsa de Valores de Taiwan (TWSE) intensificou o acordo de cooperação que matinha com a Bolsa da Coreia (KRX) desde o ano 2000, visando expandir os respectivos mercados de ETFs, criar índices em conjunto e elevar a oferta de produtos. Ainda no quesito fundos de índice, as bolsas de valores saudita e algeriana firmaram protocolo com vistas em aprofundar e formalizar a cooperação existente entre as duas entidades, em prol da listagem cruzada de ETFs sobre os respectivos índices de ações, permitindo-lhes compartilhar conhecimento e expertise e, eventualmente, explorar novas oportunidades para os respectivos mercados de capitais.

E tem mais: em outra frente, a KRX, que opera o mercado de emissões de carbono da Coreia, celebrou acordo com a Bolsa do Meio Ambiente de Beijing (CBEEX), a fim de buscar a interligação e a expansão dos dois mercados, o desenvolvimento de produtos inovadores e a realização de eventos educacionais e promocionais.

(Mondo Visione, 1, 9, 16 e 21/12/2015)

Vaquinha na coleira

Em dezembro, a Organização Internacional de Comissões de Valores Mobiliários (Iosco) publicou relatório a respeito de crowdfunding, ou financiamento coletivo, que proliferou a partir da crise de 2008 como canal alternativo de levantamento de capital. Segundo a Iosco, a maioria dos esquemas regulatórios para crowdfunding só foi implementada recentemente, estando aquém do necessário. Por conseguinte, a entidade não só propõe abordagem internacional à supervisão e à fiscalização do mecanismo, como também alerta para os principais riscos enfrentados pelos investidores de crowdfunding. Além dos usuais, como conflito de interesses, proteção de dados e fraude, estão riscos financeiros mais elevados, posto que a possibilidade de quebra é sempre mais associada a empresas startups; fraudes, atividades terroristas ou lavagem de dinheiro; problemas técnicos nos portais, que podem, simplesmente, sair do ar; iliquidez, já que não há mercado secundário para venda ou execução dos papéis; e inadequação das ofertas para todos os tipos de investidores. Para protegê-los, a Iosco propõe que os reguladores padronizem os requisitos de acesso, registro ou licença para a criação de portais; estabeleçam exigências de divulgação para emissores e portais; limitem os serviços que podem ser prestados pelas plataformas; exijam declarações assinadas pelos investidores reconhecendo a compreensão dos riscos envolvidos; limitem o tamanho e o período de manutenção dos investimentos realizados em cada oferta; determinem a nomeação de custodiante para a guarda dos ativos dos investidores; e, por fim, considerem os riscos existentes entre as diferentes legislações internacionais, visto que os sistemas de crowdfunding utilizam plataformas sediadas na internet ou em smartphones.

(Mondo Visione, 21/12/2015)

Aproveitando o vácuo

Até o final deste ano, a Bolsa de Ouro de Xangai lançará preço referencial para o ouro denominado em yuan. O objetivo é fazer que a China tenha maior influência sobre a precificação do metal precioso, pois seu preço em yuan serviria de complemento ao benchmark global e centenário, o fixing de Londres. Este, por sua vez, que passou a ser regulado pela Autoridade de Conduta Financeira (FCA) do Reino Unido em 1º de abril último, é determinado em novo sistema eletrônico, introduzido em março pela Bolsa Intercontinental (ICE) para substituir o processo anterior, em que apenas quatro bancos estabeleciam o preço do metal com base nas ordens recebidas de clientes. Adicionalmente, foram implantados novos procedimentos de governança, com a criação de um comitê de supervisão independente, formado por representantes de segmentos do mercado de ouro.

E tem mais I: o Banco da China e nove outros bancos foram autorizados a participar dos leilões na nova plataforma do fixing de ouro de Londres.

E tem mais II: a ICE também espera a adesão do Banco da Construção da China.

(Platts, 22/6, e Reuters, 24/6/2015)


Americanos, do norte

A Nasdaq anunciou a aquisição do sistema alternativo de negociação Chi-X Canadá, a partir da qual terá acesso direto ao mercado de renda variável canadense, o oitavo maior do mundo, promovendo maior uniformidade de tecnologias e funcionalidades para os mercados norte-americanos. Lançado em 2008, o Chi-X Canadá concentra cerca de 13% do volume das transações com ações naquele país, embora a fatia do Grupo TMX, proprietário da Bolsa de Valores de Toronto (TSE) e de outros sistemas de negociação, seja de 70%. O valor do negócio não foi revelado e a operação tem previsão de conclusão ainda no primeiro trimestre de 2016.

E tem mais I: em 2007, quando os sistemas alternativos começaram a proliferar no Canadá, a fatia de mercado do Grupo TMX era de 99,6%.

E tem mais II: em dezembro de 2015, a Aequitas, que opera outra plataforma de negociação canadense, registrou queixa junto à Secretaria de Defesa Econômica local contra o Grupo TMX, em que o acusa de utilizar sua posição dominante para manter o controle sobre a tarifação de dados de mercado no mercado de capitais do país.

(Bloomberg, 8/12/2015)

Onipotente4

Onipresente

Os ataques digitais se tornaram frequentes nos últimos anos, com grandes corporações e governos na mira de hackers. À medida que a tecnologia avança em ritmo acelerado, as empresas prestadoras de serviços financeiros são confrontadas com uma série de ameaças cibernéticas, que podem envolver mensagens eletrônicas, modelos desatualizados de assinatura digital e violações em fornecedores externos. Afinal, são detentoras diretas de informações privadas e indiretas de ativos. No caso de contas de e-mail de clientes, entre dez e 30 tentativas de ataque são registradas semanalmente. Se fraudadas, tais contas podem expor dados e acessos sigilosos, bem como relações comerciais. Há também a questão sobre a forma como os funcionários protegem a tecnologia da informação de suas empresas, pois, por mais que sejam orientados sobre as melhores práticas de segurança, o inesperado sempre pode surgir. A computação em nuvem e os centros de dados, apesar de mais eficientes, também ficam à mercê de transgressões potenciais. Quanto aos vendors externos, é difícil saber o nível de segurança dos dados que abrigam. Para a indústria, as campanhas de educação, tanto voltadas aos consultores de investimento quanto aos clientes, ainda são a melhor saída para enfrentar o problema.

E tem mais: em outubro, a Associação Nacional de Futuros (NFA) norte-americana anunciou novas normas para seus membros, incluindo corretoras de câmbio, voltadas à segurança virtual e, em dezembro, a xerife CFTC aprovou propostas para alterar a regulamentação de testes e salvaguardas para os sistemas automatizados utilizados por organizações de clearing de derivativos, mercados de contratos designados, sistemas de execução e repositórios de dados de swaps. As propostas, que estarão abertas para comentário público durante 60 dias, exigem que os sistemas informatizados dessas estruturas críticas passem por cinco tipos de teste, cuja frequência deverá ser determinada pela análise apropriada de risco, quais sejam: vulnerabilidade, penetração, controles, resposta a incidentes de segurança e avaliações de risco da tecnologia empregada.

(LeapRate.com, 16/12, e InvestmentNews, 20/12/2015)