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Notícias – Edição 3 2017-02-10T11:00:40+00:00

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Patrícia Brighenti é jornalista e tradutora juramentada.

Blocos em cadeia

Por ocasião de sua assembleia geral no início de abril deste ano, a Associação Internacional de Swaps e Derivativos (Isda) reuniu líderes de algumas das principais contrapartes centrais (CCPs) para tratar de blockchain. Os participantes concordaram que tecnologias como essas desempenharão papel importante na tarefa de tornar a liquidação de derivativos mais eficiente no futuro, embora apresentassem opiniões divergentes acerca dos impactos potenciais. Para os presentes, o blockchain, ou tecnologia de registros distribuídos (DLT), está entre as mais significativas inovações surgidas nos últimos anos, oferecendo à indústria a possibilidade de se livrar de processos de liquidação realizados ao longo de vários dias, bem como de fazer a reconciliação ocorrer em tempo real, no momento da execução do próprio negócio. Ao permitir transferências diretas de valores, a tecnologia pode minar a atuação de bancos, bolsas e clearings; entretanto, também pode representar oportunidade para que os players elevem a eficiência e a serialização de dados. A DLT não vai substituir a relevância dos mercados derivativos, mas vai modificar a dinâmica das CCPs, tendo grande efeito sobre os procedimentos de back office.

E tem mais I: os blockchains, ou cadeias de blocos, são registros criptografados, compreendendo logs de transações compartilhados via rede digital, sendo seu aplicativo mais conhecido o Bitcoin, que emprega sistemas ponto a ponto (P2P) para efetuar e registrar pagamentos sem o uso de intermediários. A tecnologia pode ser pública, como o Bitcoin, que está aberto a qualquer participante – que pode enviar transações ao registro e esperar que sejam incluídas, se forem válidas (qualquer pessoa pode participar do processo de consenso que garante a validade das transações) –, ou privada, sendo restrita a conjunto pré-selecionado de participantes – que precisam aceitar os registros de transações para que sejam válidos.

E tem mais II: a média de operações realizadas pela plataforma Ethereum, uma das DLTs que mais crescem no mundo, está em aproximadamente 0,25 por segundo – depois de atingir o recorde de 1,25 em fevereiro deste ano –, ainda muito aquém do nível demandado pelos mercados financeiros.

E tem mais III: em white paper sobre as aplicações de DLT às atividades de pós-negociação, publicado no início deste ano, a clearing DTCC concluiu que as DLTs podem melhorar a infraestrutura disponível em certas áreas – onde a automação é limitada ou inexistente, por exemplo – ou oferecer benefícios visíveis a processos já empregados. Porém, para diminuir os custos e os riscos de infraestruturas instaladas, também devem ser avaliadas soluções alternativas, por meio de fluxos de trabalho padronizados da indústria e do uso extensivo de tecnologias em nuvem.

(International Financing Review, 13/4/2016)

Pelo primeiro lugar

A Bolsa de Energia Europeia (EEX), que faz parte do Grupo Bolsa Alemã, adquiriu os 48% restantes de ações da Bolsa Cleartrade (CLTX), de propriedade da corretora londrina Freight Investor Holdings (fundadora e acionista da Cleartrade desde 2010), tornando-se sua controladora integral. O objetivo da EEX é fortalecer ainda mais seu compromisso de tornar-se bolsa global, desenvolvendo novas classes de ativos e outros centros regionais. A CLTX manterá a sede que ocupa atualmente em Cingapura.

Enquanto isso, a Bolsa Intercontinental (ICE) ainda não conseguiu integrar a seus negócios a plataforma de negociação de energia Trayport, adquirida da BGC Partners por US$650 milhões em ações, em dezembro de 2015, que lhe proporcionará supremacia na negociação de energia na Europa. Isso porque a Autoridade de Concorrência e Mercados (CMA), do Reino Unido, investiga a possibilidade de o negócio incentivar a ICE a elevar preços e/ou a reduzir a qualidade de produtos e serviços oferecidos pela Trayport, dos quais dependem seus concorrentes, pois a plataforma conecta traders, corretores, serviços públicos e empresas de recursos – e a ICE já detém posição dominante nos mercados futuros sobre energia de Londres.

(Mondo Visione, 13/4, e FT.com, 27/4/2016)

Sotaque britânico

Os negócios com a moeda chinesa têm crescido expressivamente ao redor do mundo, inclusive no Reino Unido, que, em março deste ano, superou Cingapura como o segundo maior centro internacional de operações cambiais com o renmimbi iuan. O valor de pagamentos em iuan aumentou 21% entre março de 2014 e março de 2016, consoante informações do sistema de transações financeiras Swift. Com isso, o Reino Unido passou a concentrar 6,3% de todas as operações internacionais com a moeda chinesa, enquanto Cingapura caiu para a terceira colocação, com 4,6%. Mesmo assim, estão muito longe do líder, que é Hong Kong, respondendo por 72,5% de todos os pagamentos feitos em iuan.

E tem mais I: colaborou para este resultado a abertura de uma agência do Banco de Construção da China no Reino Unido, em junho de 2014.

E tem mais II: a participação do iuan no sistema de pagamentos global subiu levemente em março, para 1,88%, tornando a moeda a quinta mais ativa em transações internacionais, em comparação com a sétima posição que detinha em janeiro de 2014, quando a Swift começou a acompanhar sua trajetória.

E tem mais III: já entre os maiores centros financeiros mundiais, Cingapura ficou com o terceiro lugar antes ocupado por Hong Kong, posicionando-se atrás de Londres e Nova York, conforme dados da pesquisa publicada no início de abril pelo Grupo Z/Yen. Em quinto lugar, está Tóquio.

(Reuters, 8/4, e Shanghai Daily, 28/4/2016)

Página virada

Passados 13 anos da fusão entre as câmaras de compensação inglesa (LCH) e francesa (Clearnet), que deu origem à LCH.Clearnet, a palavra Clearnet foi eliminada da nova marca. De acordo com a clearing, a decisão tem origem em extenso projeto de consulta, que resultou na criação de novos logotipo, razão social e slogan. A LCH.Clearnet foi adquirida pela Bolsa de Valores de Londres (LSE) em 2012, e está agora no centro do potencial meganegócio da LSE com a Bolsa Alemã, que poderá resultar na combinação de duas das maiores clearings da Europa.

(Trade News, 14/4/2016)

Para não faltar

O Grupo CME tenciona economizar US$5 milhões anuais com o fechamento total do pregão físico de Nova York, programado para dezembro deste ano, onde ainda são negociadas opções sobre metais e energia, que serão transferidas para o sistema eletrônico. Os resultados começarão a ser sentidos em 2017 e poderão incluir outros US$3 milhões, caso o grupo se torne locatário do espaço. Duas outras medidas tomadas pelo grupo em prol da contenção de gastos foram a sublocação de espaços administrativos desnecessários em Chicago e a transferência de posições internacionais para locais mais baratos. Adicionalmente, em março, vendeu o centro de dados que hospeda sua plataforma eletrônica de negociação, localizado na região de Chicago, por US$130 milhões, passando a alugar as instalações de que precisa do novo proprietário.

E tem mais I: a expectativa em torno do fechamento dos postos de negociação de futuros de Nova York e Chicago, ocorrido em julho de 2015, é gerar economia anual de US$10 milhões.

E tem mais II: o Grupo CME, cuja clearing é considerada sistemicamente importante desde 2014, está em via de abrir uma conta com o banco central norte-americano, o Fed, para o recebimento das margens de garantia em dinheiro depositadas pelos membros de compensação para operações próprias, a qual deverá render juros sobre os saldos.

(Reuters, 12 e 28/4/2016)

Pelo mundo

O Grupo Bolsa de Valores de Londres (LSEG) e a Bolsa de Oslo decidiram ampliar a parceria que os une por mais cinco anos. A tecnologia utilizada pela bolsa norueguesa nos mercados de ações, renda fixa e derivativos foi implementada pela LSEG em 2009. Também prorrogaram a cooperação em vigor a Eurex, que faz parte do Grupo Bolsa Alemã, e a Bolsa da Coreia (KRX), mediante a listagem do contrato futuro míni sobre o índice Kospi 200 nas sessões de negociação da Eurex. Em contrapartida, a KRX vai introduzir em seus pregões o futuro sobre o índice Euro Stoxx 50, a ser denominado em won e liquidado na Coreia do Sul. A Eurex já negocia opções sobre o índice Kospi 200, mas os futuros de índice Euro Stoxx 50 serão os primeiros derivativos baseados em benchmark internacional da Bolsa coreana.

(Mondo Visione, 19 e 20/4/2016)

Elos

Depois da interligação entre os mercados acionários de Xangai e Hong Kong (HKEx), ocorrida em novembro de 2014, as autoridades chinesas preparam-se para aprovar mais uma conexão, agora entre a Bolsa de Shenzhen e a de Hong Kong. O anúncio deverá ser feito até julho, com o estabelecimento de data para o início de funcionamento do sistema que unirá os dois mercados de ações.

E tem mais I: a cidade de Xangai poderá ser palco de outra interligação, agora com Londres, por meio da emissão de recibos de depósito global (GDRs) sobre determinadas ações de ambos os mercados.

E tem mais II: em outra frente, a HKEx pretende introduzir plataforma para a negociação de metais e armazém geral para entregas físicas na zona econômica especial de Qianhai (localizada nas imediações de Shenzhen), o que representará a primeira incursão efetiva da Bolsa de Hong Kong na China continental, com vistas em incrementar seu negócio de commodities.

(Bloomberg, 20/4, International Adviser e South China Morning Post, 26/4/2016)

TudoMeu

Tudo meu

A Bolsa de Ouro de Xangai (SGE), que é o maior mercado físico global para o metal, lançou contrato futuro sobre ouro denominado em iuan, com o intuito de torná-lo o principal referencial de preços mundiais. A China é o maior produtor e consumidor de ouro. Segundo a bolsa, o novo benchmark será muito útil para refletir adequadamente as forças de oferta e procura que envolvem o metal na China, estabelecendo a tendência de preços no país.

(China Daily, 19/4/2016)

DedoDuroDedo-duro milionário

A Comissão das Operações no Mercado Futuro de Commodities (CFTC) dos Estados Unidos pagou prêmio de US$10 milhões ao delator de informações fundamentais para que o órgão regulador fosse bem-sucedido em uma ação investigatória. O valor é o maior já concedido pela CFTC. Esta é obrigada por lei a proteger a confidencialidade dos denunciantes, não divulgando informações que possam relevar, direta ou indiretamente, sua identidade. O propósito de prêmios dessa magnitude é encorajar outros potenciais delatores a se dispor a prestar informações que ajudem a xerife a proteger os mercados locais. Os denunciantes podem receber entre 10% e 30% do montante de sanções monetárias recolhido pela CTFC.

E tem mais I: os informantes também recebem a garantia de que não serão demitidos, rebaixados, suspensos, ameaçados, molestados ou indiscriminados por seus empregadores.

E tem mais II: o último prêmio anunciado pela CFTC foi em setembro do ano passado, de cerca de US$290 mil. Os valores são pagos pelo Fundo de Proteção ao Consumidor do órgão, criado pelo Congresso e financiado integralmente pelas sanções recebidas pelo regulador em decorrência de violações à Lei das Bolsas de Mercadorias.

(LeapRate.com, 4/4/2016)

Xenofoclearing

Duas matérias da revista The Economist veiculadas no dia 2 de abril último tratam da possível fusão entre a Bolsa de Valores de Londres (LSE) e a Bolsa Alemã (DB), com destaque para a combinação entre as respectivas câmaras de compensação, LCH.Clearnet e Eurex Clearing – que, juntas, detêm cerca de US$170 bilhões em garantias. Segundo a publicação, quanto mais margens cobram de seus participantes, mais seguras as clearings, de modo geral, ficam. Contudo, como depositar garantias custa caro para os investidores, são incentivadas a evitar chamadas de margem em demasia, já que também competem por clientes. Para estabelecer o montante de garantias que deles exigirão, as clearings levam em conta as correlações existentes entre os produtos, lançando mão de técnica conhecida como margem cruzada ou margem de carteira.

Dados do Grupo CME mostram que a redução proporcionada pelo serviço de margem de carteira oferecido por sua câmara varia de 54% a 80% do total que, de outra forma, seria requerido em garantias. Alguns clientes usam a LCH.Clearnet e a Eurex Clearing para fazer apostas correlacionadas. Caso as duas sejam combinadas, poderão usar o sistema de margem cruzada para cortar o montante de garantias que demandariam de tais clientes, obtendo vantagens competitivas sobre suas rivais. Inicialmente, essa compensação estaria restrita a derivativos que se combinassem perfeitamente.

As correlações existentes entre classes diferentes de ativos costumam alterar-se em eventos de crise, sugerindo que os modelos nelas baseados, em busca da diminuição dos níveis de margem, devem ser ultraconservadores. Para reforçar esse ponto, a revista argumenta que, ao longo dos anos, os reguladores vêm elevando sem trégua o montante de capital com o qual os grandes bancos devem financiar-se, de maneira a protegê-los de perdas. Logo, as câmaras de compensação deveriam ser tratadas com ainda mais zelo. Portanto, a real objeção à fusão não deveria ser o medo de que estrangeiros tomem os mercados nacionais, mas, sim, a consolidação entre LCH.Clearnet e Eurex, que concentraria ainda mais o risco, trazendo consequências nefastas em caso de quebra.

E conclui que, a menos que LSE e DB se comprometam a manter as suas clearings verdadeiramente separadas, com recursos exclusivos contra eventos de inadimplência e requerimentos de margem abundantes, a combinação entre ambas deve ser barrada pelos reguladores.

Resumo da correspondência enviada à The Economist

Em resposta a essas matérias publicadas pela The Economist, a BM&FBOVESPA enviou correspondência à editora da revista esclarecendo que considerar a correlaçãxo entre produtos financeiros nos cálculos de margem não significa admitir que tal parâmetro seja estático e que não possa assumir outros valores em momentos de crise financeira.

Para mostrar a importância da correlação nesses cálculos, a Bolsa, primeiramente, ressalta que existem produtos financeiros diferentes cujos preços se movem de forma alinhada, pois são referenciados no mesmo ativo-objeto. Posteriormente, coloca duas situações em que as carteiras são compostas de produtos referenciados no mesmo ativo-objeto e em ativos distintos, respectivamente, questionando como a margem destas deveria ser calculada em caso de aprovação da fusão entre LSE e DB.

A primeira situação exemplifica um cliente comprado em swap plain vanilla e vendido em futuro, sendo que ambos os produtos são referenciados no mesmo ativo-objeto e possuem a mesma data de vencimento. Nesse caso, a Bolsa questiona se a câmara de compensação e liquidação da companhia combinada deveria exigir desse cliente 100% de margem para cada produto, elucidando que, em termos matemáticos, essa exigência implicaria admitir que o mesmo ativo-objeto poderia assumir dois valores distintos e opostos no mesmo momento e no mesmo mercado.

A segunda supõe clientes da companhia combinada que possuam carteiras semelhantes e diversificadas com contratos referenciados em diversos produtos, as quais serão liquidadas pela nova câmara. Assim, a Bolsa questiona se a margem deveria ser calculada apenas somando-se as margens de cada produto individualmente, ou seja, ignorando-se a diversificação dessas carteiras. Se isso ocorresse, em termos matemáticos, significaria que poderia haver perdas simultâneas e extremas em todas as posições compradas e vendidas referenciadas nos diversos ativos-objeto.

Nesse sentido, a Bolsa destaca que a correlação deve ser considerada nos cálculos de margem e que somente modelos de risco tecnicamente defasados continuam a tomá-la como um parâmetro estático.

Adicionalmente, explica que seu modelo de cálculo de margem, implementado em 2014, após ter sido devidamente aprovado, inclusive, pelos reguladores brasileiros, além de ser conservador, leva em consideração o grau de diversificação das carteiras e as relações de hedge entre os produtos, inclusive entre os de bolsa e de balcão. Salienta que, para mitigar o risco de mudança nas correlações, seu modelo tem três componentes complementares, a saber:

(i) simulações do valor da carteira considerando as variações históricas dos preços observadas nos últimos 15 anos (capturando, portanto, diferentes “cenários” para as correlações entre os ativos);

(ii) simulações do valor da carteira geradas por meio de modelos estatísticos com fat-tails (que atribuem maiores probabilidades para movimentos extremos dos preços dos ativos, incluindo movimentos extremos para as correlações entre os ativos); e

(iii) cenários prospectivos definidos por seu Comitê de Risco, os quais podem, para os fatores de risco mais relevantes, embutir correlações variando de -1 a +1.

A Bolsa finaliza a referida correspondência reiterando que uma câmara deve ser eficaz e eficiente, conforme o princípio 21 do documento Principles for Financial Market Infrastructures, publicado pelo Bank for International Settlements (BIS) e pelo Committee on Payments and Market Infrastructures (CPMI). Portanto, adverte que, se tal câmara exigir margem superior à maior perda possível prevista para determinada carteira, além de não observar as diretrizes de eficiência, aumentará desnecessariamente o custo das transações financeiras. Nesse sentido, afirma que a pré-condição para o funcionamento de uma câmara tem de ser a adoção de modelos de cálculo de margem tecnicamente robustos, devidamente testados e aprovados por seus órgãos internos de governança e também por seus reguladores.