Conheça o “pai dos índices” da Bolsa 2017-02-10T11:00:39+00:00

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Conheça o “pai dos índices” da Bolsa

Com mais de 40 anos dedicados à companhia, Rogerio Marques é memória viva da história recente dos Mercados Financeiros e de Capitais

Aos 16 anos, quando começou a trabalhar na Bolsa como boy do pregão, mais de quatro décadas atrás, o economista Rogerio Marques não poderia imaginar que não só veria o nascimento, como também ajudaria no parto de quase todos os 23 índices de renda variável que servem como benchmarks do desempenho da bolsa de valores brasileira.

Hoje com 58 anos, o pai dos índices, que encerrou sua carreira na Bolsa este ano como Coordenador de Índices e Banco de Dados, só não viu nascer seu filho mais velho – e famoso –, o Ibovespa, criado em 1968, apenas seis anos antes do início da sua carreira na Bolsa.

  • Rogerio Marques

“Eu cheguei aqui sem saber nada sobre mercado de ações. Achei fascinante, aprendi muito e me diverti. Logo que entrei, descobri que existia um departamento que chamava Custódia. Não tinha a menor ideia do que era, mas já morri de amores. Minha avó se chamava Custódia”, relembra, bem-humorado.

Rogerio é memória viva da história recente dos Mercados Financeiros e de Capitais. Viu a criação do Mercado de Opções, acompanhou diversos ciclos de alternância entre o pessimismo das crises das últimas décadas e a euforia dos momentos de recuperação, observou o fortalecimento dos valores de governança corporativa e sustentabilidade no mercado financeiro, entristeceu-se com o fim do pregão viva voz, e, principalmente, testemunhou as grandes mudanças que a evolução tecnológica trouxe para o dia a dia do mercado.

Apesar de muitas pessoas ainda não terem dimensão disto, mais do que um player do mercado financeiro, a BM&FBOVESPA é hoje uma grande companhia de tecnologia. Mas nem sempre foi assim.

Acredite ou não, uma das primeiras funções de Rogerio aqui na Bolsa era a de desenhista. Seu principal instrumento de trabalho era o tecnígrafo, uma espécie de prancha onde ele desenhava todos os dias a mão os gráficos de desempenho de todos os ativos negociados no pregão para o Boletim Diário de Informações, o bom e velho BDI.

Difícil de imaginar como era trabalhar em um mercado que não contava com os recursos das planilhas e macros, dos terminais que recuperam cotações históricas e constroem todo tipo de gráfico instantaneamente e do Market Data, que traz cotações de High Frequency Trading no exato milissegundo em que elas acontecem.

Rogerio é do tempo em que o pregão contava com rodas de negociação, em que todas as operações eram fechadas no grito e registradas com delay em um painel eletromecânico, atualizado parte automaticamente, parte manualmente. Em meados dos anos de 1980, viu os primeiros computadores chegarem à Bolsa ainda de forma tímida, automatizando pouco a pouco os processos de negociação e pós-negociação.

Rogério viu também a implantação do primeiro sistema de negociação eletrônica em 1990, o CATS, que registrava cerca de 4 mil negócios por dia. Sete anos depois, também estava aqui quando esse sistema foi atualizado para o MegaBolsa, com uma capacidade de negociação considerada impressionante para a época: 125 mil negócios diários.

Números bastante distantes dos registrados hoje pelo PUMA Trading System BM&FBOVESPA, que processa em média 2 milhões de negócios diariamente – chegando a 3,5 milhões em dias de pico – e mais distantes ainda da meta da nova Clearing BM&FBOVESPA, que ampliará a capacidade da nossa plataforma para 10 milhões de negócios/dia, atendendo às expectativas de crescimento do nosso mercado na próxima década.

Em meio a tantas memórias, quando questionado sobre as principais lembranças na sua trajetória profissional aqui na Bolsa, Rogerio destaca dois momentos: a criação em 2005 do primeiro índice de sustentabilidade da América Latina e quarto do mundo, o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) e o aprimoramento da metodologia do Ibovespa, em 2013, depois de 45 anos de funcionamento sem alterações.

“Não consigo citar todos os melhores momentos.Assim como o mercado, tive altos e baixos, mas todo o conjunto foi bom. Superar crises está no DNA da Bolsa e levo isso comigo como aprendizado para a vida”, afirma.